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Análises

Valendo vaga no US Open: análises da última rodada do qualifying

Por Abra27 de ago. de 2026
Valendo vaga no US Open: análises da última rodada do qualifying

🎾 Daniel Rincon (@ 2.37) vs. Tomas Barrios Vera (@ 1.56)
Daniel Rincon conseguiu chegar até a última rodada do qualifying e isso é bem impressionante, considerando que o espanhol não é um jogador que considero totalmente apropriado para essas condições. Agora enfrenta Tomas Barrios Vera, outro nome que também possui muito mais afinidade com o saibro do que com pistas rápidas. E justamente por isso, não consigo comprar muito esse favoritismo do chileno. Barrios é mais experiente, possui mais consistência e sabe trabalhar melhor os pontos, mas não vejo uma diferença tão grande de nível que justifique uma odd tão favorável ao chileno. Acredito que o mercado esteja o precificando pelo o amasso da segunda rodada do qualifying. Mas não podemos utilizar o adversário derrotado como parâmetro, afinal, Alberto Olivieri é um rato do saibro, pouco apropriado para condições rápidas. Por mais que este jogo não me agrade muito, penso que Daniel Rincon possa oferecer resistência.


🎾 Jacob Fearnley (@ 1.36) vs. Jurij Rodionov (@ 3.00)

Não posso negar que Fearnley, quando está em seus dias, é um jogador com bastante qualidade. Estávamos com Pavlovic no +4.5 e a aposta foi cumprida. No entanto, Fearnley fez uma ótima partida e se tivesse aproveitado a chance criada no segundo, poderia ter nos prejudicado. Fora a pequena oscilação que o fez ser levado ao set decisivo, Fearnley foi relativamente bem. Por outro lado, Rodionov também teve uma pequena oscilação num jogo que parecia dominado. E isso só mostra o quão comum é, vermos esses deslizes num cenário de grande pressão. Rodionov é canhoto, possui potência e está longe de ser um jogador inofensivo. Assim como Fearnley, também bate forte e gosta de se manter no controle do ponto. Por mais que veja Fearnley com maior capacidade para agressivar, como sempre digo, o britânico é bastante resumido à sua direita. E como o confronto é contra um canhoto que, naturalmente, irá trabalhar o forehand cruzado, Fearnley terá que estar com o backhand em dia para não ser explorado num golpe que, nem se compara com seu forehand. Novamente, não acho que Fearnley mereça uma odd tão baixa...


🎾 Aziz Dougaz (@ 1.77) vs. Andrea Guerrieri (@ 2.02)

Estávamos posicionados num mísero set de Aziz Dougaz e não tivemos nem sequer que sofrer nessa sugestão. Aziz começou a partida On Fire, conseguindo manter o padrão apresentado na primeira rodada com um jogo seguro, altíssimo aproveitamento no serviço e bastante solidez nas trocas. Além disso, conseguiu pressionar constantemente o adversário. Dougaz é canhoto, imprime bastante spin e para seu nível, seu forehand tem se mostrado extremamente pesado e pode fazer bastante estrago quando consegue assumir o controle do ponto. Houve um MTO durante a última partida, mas pelo que foi informado, o atendimento serviu para trocar uma bandagem no braço esquerdo. Obviamente é algo para acompanharmos, principalmente por ser justamente seu braço dominante, mas não acho que tenha sido um problema para nos preocuparmos. Guerrieri está fazendo um ótimo qualifying e merece ser respeitado por chegar vivo até aqui, mas pelo que Dougaz apresentou nas duas primeiras rodadas, entendo seu favoritismo.


🎾 Coleman Wong (@ 1.46) vs. Dusan Lajovic (@ 2.62)

Coleman Wong está mostrando, novamente, um excelente desempenho em solo americano. Para quem não lembra, ele apareceu para o mundo justamente no hard americano no ano passado. O honconguês é um cara bastante motivado, se cobra bastante em quadra e é difícil o vermos largando o osso, mesmo em partidas adversas. Wong consegue gerar bastante potência, possui um ótimo primeiro saque e, está jogando com alta confiança. Do outro lado temos um Lajovic mais experiente, mas que nunca teve grandes feitos no hard. O sérvio possui qualidade técnica suficiente para quebrar o ritmo de Wong, principalmente utilizando seu backhand de uma mão e as mudanças de direção, mas como sabem, sou um hater do backhand de uma mão > nos dias atuais <. Com a agressividade do adversário e estando numa pista rápida, acredito que esse golpe será bastante explorado e consequentemente, o número de UE será alto, podendo alimentar a confiança de Wong. Acho o favoritismo de Wong justo pelo matchup e pelas condições, mas Lajovic é bem experiente e o fato de ser a última rodada do qualifying tornam este duelo interessante. Prefiro não arriscar em nada.


🎾 Toby Samuel (@ 1.44) vs. Cristian Garin (@ 2.70)

Venho rasgando elogios para Toby Samuel há bastante tempo. E isso, justamente pela quantidade de armas que possui para condições rápidas. O britânico saca muito bem, sabe trabalhar com a primeira bola e me parece bem sólido na linha de base, quando as trocas longas são necessárias. Garin, por outro lado, é muito mais experiente e possui um perfil aguerrido e insistente nos pontos. O chileno pode transformar o jogo num duelo mais físico se conseguir neutralizar o saque e prolongar as trocas, mas contra Toby, essa não é uma tarefa tão simples. Ambos vem com números bastante semelhantes em termos de saque e devolução. Por mais que veja Toby Samuel como favorito, esta é a terceira rodada do qualifying do último GS do ano. Muito provavelmente, a experiência de Garin valerá mais do que a capacidade tenística do britânico. Penso em algo a favor do over games neste confronto.


🎾 Vilius Gaubas (@ 1.85) vs. Harry Wendelken (@ 1.92)

Gaubas é um jogador que gosto tecnicamente, possui muita intensidade e consegue ser bastante sólido quando lhe dão ritmo, mas ainda não vejo o hard como o cenário em que consegue extrair o máximo do seu potencial. Wendelken, por sua vez, já chegou ao torneio cercado por uma dúvida física recente relacionada ao joelho, mas o fato de ter chegado a última rodada do qualifying reduz bastante as dúvidas. PORÉM, seu jogo passado contra Bertola foi extremamente intenso e decidido no terceiro set. Um fato curioso é que Wendelken jogou muito mais no erro do adversário do que em algum tipo de dominância própria. Para terem ideia, ele anotou 11 winners e 16 erros não forçados numa partida de 3 sets. E isso é extremamente baixo para uma superfície rápida. Como disse que Vilius Gaubas gosta de ritmo, é possível que um jogador com pouca potência lhe dê o que mais gosta. Com odds iguais, acredito que o valor esteja do lado de Gaubas.


🎾 Otto Virtanen (@ 3.55) vs. Grigor Dimitrov (@ 1.27)

Nojo! Essa é a palavra que define o red com JPJ contra Otto Virtanen. Impressionante que sempre é numa belezura de odd (@ 2.40) e nunca numa aposta ridícula optando pelo favorito. Enfim, vida que segue e parabéns para Otto Virtanen, que mesmo morto, conseguiu vencer do JPJ. Para este jogo, poderíamos ter um teste verdadeiro para Grigor Dimitrov, mas para quem não viu o que rolou na partida do Otto Virtanen eu resumirei: era para ele ter perdido por 2x0, mas incrivelmente, conseguiu levar para o tie-break no segundo set. No tie-break, ele teve um "mau jeito" e começou a mancar, estava literalmente andando e prestes a perder no tie-break, em seus seguidos. Seu adversário não fechou a partida, o jogo foi para o terceiro e o Otto jogou lesionado. Enfim, seria uma ótima pedida ir contra Dimitrov utilizando Otto Virtanen ou o próprio Pinnington Jones, mas como quem sobrou foi o guerreiro abalado fisicamente, não farei nada aqui.


🎾 Dalibor Svrcina (@ 1.72) vs. Mackenzie McDonald (@ 2.10)

Svricina tem mostrado aquilo que já conhecemos: coloca muita bola em quadra, se movimenta muito bem e tem conseguido testar a paciência de seus adversários. O problema é que McDonald é muito mais apropriado para o hard americano do que os adversários que o tcheco enfrentou até aqui. O americano bate cedo, tem bastante controle de bola e uma boa intensidade. Para este jogo, acredito que veremos oscilações dos dois lados, considerando que ambos não possuem um bom saque e tem se destacado bastante nos games de devolução. Portanto, acredito num confronto de altos e baixos que consequentemente, torna-se bem difícil de prever.


🎾 Shintaro Mochizuki (@ 1.82) vs. Francesco Passaro (@ 1.95)

Apesar de todas as minhas desconfianças em relação ao saque de Mochizuki, não posso ser injusto: ele tem se saído muito bem neste qualifying. O japonês venceu suas duas partidas em sets seguidos e, contra Braden Shick, conseguiu fazer justamente aquilo que eu mais questionava antes do jogo: proteger seus games de serviço. Além disso, gosto muito mais de suas características para pistas rápidas. Mochizuki é tecnicamente muito bom, se movimenta demais e consegue encontrar ângulos que dificultam bastante a vida do adversário. Para terem ideia, ele é o campeão de Wimbledon Jr. Então, qualidade para condições rápidas, ele tem. Passaro também chega com duas vitórias e merece reconhecimento, inclusive, é um nome que acompanho há anos (e elogio bastante). Mesmo achando que o italiano poderia ser melhor no hard, seu foco não tem sido esse. Passaro irá enfrentar um cara com bastante ritmo e considerando as odds, acredito que Mochizuki a mais de @ 1.80 seja um bom valor.


🎾 Arthur Gea (@ 1.69) vs. Nishesh Basavareddy (@ 2.12)

Que belo jogo para uma última rodada de qualifying. Já falei inúmeras vezes sobre o quanto gosto de Arthur Gea e o francês continua confirmando sua evolução. É um jogador extremamente completo, maduro para sua idade e que consegue alternar bem entre defender e assumir o controle dos pontos. Mas agora temos provavelmente seu maior desafio até aqui. Basavareddy é outro jovem que gosto demais. Foi desenvolvido no College, conhece perfeitamente o hard americano e possui uma capacidade enorme de contra-atacar. Além disso, chegar à terceira partida depois do período afastado me deixa muito mais confortável em relação ao seu ritmo. Gea merece o favoritismo pelo momento insano, são 20W-2L neste ano. Mas mesmo assim o mercado está dando @ 1.70? Não sei, parece trap. Não recomendo a vitória de Arthur Gea, mesmo concordando com seu favoritismo.


🎾 Liam Draxl (@ 1.85) vs. Tristan Schoolkate (@ 1.90)

Liam Draxl tem apresentado um jogo muito mais sólido, não só neste qualifying, como também ao longo da temporada. É um jogador relativamente sólido, que comete poucos erros e dificilmente entrega pontos de graça. Seu perfil aguerrido é um ponto interessante, btw. Talvez não possua um poder de fogo absurdo, mas seu nível tem sido bastante ok. Schoolkate, por outro lado, ainda não me convenceu. Na primeira rodada, enfrentou um adversário na casa do #1800 do ranking e depois passou por apuros contra Seong Chan Hong, que vinha sem ritmo competitivo. Agora, finalmente enfrentará um adversário de verdade e muito mais consistente. Schoolkate possui armas para pistas rápidas e obviamente pode vencer, mas não sei se concordo com essas odds praticamente iguais. Acredito que Liam Draxl fechará como favorito em algo entre @ 1.60 a @ 1.70.


🎾 Zsombor Piros (@ 2.27) vs. Christopher O'Connell (@ 1.60)

Concordo com o favoritismo de Chris O'Connell por ser um jogador mais experiente e com maior repertório. Mas não podemos esquecer que Zsombor é perigoso e no ano passado, conseguiu se qualificar para o US Open, comendo pelas beiradas. Havia citado previamente a primeira rodada que Zsombor Piros havia se retirado em seu último torneio. Ou seja, as dúvidas físicas existiam, mas mesmo assim, ele chegou até aqui. Comendo pelas beiradas novamente. Fato é que agora, o desafio é bem maior do que vencer Glinka em 3 sets. Então, concordo com o favoritismo de O'Connell, mas não compraria neste preço.


🎾 Kei Nishikori (@ 2.02) vs. Rei Sakamoto (@ 1.77)

Olha só como as coisas mudaram. Nishikori começou o qualifying cercado por dúvidas e agora chega à última rodada com um progresso bastante interessante entre a primeira e a segunda rodada. Isso naturalmente muda bastante a leitura sobre sua condição. O japonês possui uma qualidade absurda na devolução, bate cedo na bola e tem conseguido utilizar ângulos, como nos velhos tempos. Além disso, ele por muito tempo foi considerado um dos melhores em termos de aproveitamento com dropshots. Ou seja, touch é o que não falta para quebrar ritmo. Mas agora enfrenta um compatriota jovem, agressivo e que gosto bastante. Sakamoto possui mais potência, saca melhor e consegue produzir pontos grátis com muito mais facilidade. No entanto, enfrentará um jogador extremamente inteligente, que pode utilizar essa agressividade inconsequente contra ele e fazê-lo bater constantemente em posições desconfortáveis. Acho cuiroso que Sakamoto apareça como favorito... Deve ser porque haja diferença de momento e físico entre os dois. Ainda assim, com Nishikori chegando até aqui e mostrando que o corpo está respondendo, torna bem tentador o +money.

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