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Análises

ATP Chengdu: análises da primeira rodada

Por Abra22 de set. de 2026
ATP Chengdu: análises da primeira rodada

O ATP de Chengdu terá jogadores chegando de todos os cantos e em situações bem diferentes. Alguns estavam na Europa, outros vêm direto da Copa Davis e há também quem já tenha tido tempo de sobra para chegar à China e se preparar. E nesta primeira rodada, isso importa bastante. Não dá para olhar apenas para o matchup quando alguns jogadores precisam lidar com viagens longas, jet lag, troca de superfície e poucos dias de recuperação. São pontos que levei bastante em consideração nas análises abaixo.

🎾 Nuno Borges (@ 1.16) vs. Camilo Ugo Carabelli (@ 4.75)

Aqui a logística me chama bastante a atenção. Borges sai de Santa Tecla para Chengdu numa viagem estimada entre 30 e 38 horas. É uma barbaridade. Mesmo tendo disputado partidas no hard, não estou falando apenas de adaptação à superfície, mas de atravessar o planeta, inverter completamente o relógio biológico e chegar com pouco tempo para recuperar. Carabelli, por outro lado, não joga desde o US Open. Já deve estar na China há um bom tempo. O problema é que seus números no hard são realmente ruins. Em termos de perfil de jogo, é aquele grinder chato que adora longas partidas. E um duelo físico, pode ser extremamente prejudicial para Nuno Borges. Em condições normais, o tuga tem muito mais qualidade tática e técnica para vencer do limitado Ugo Carabelli. No entanto, analisando o contexto, @ 1.16 num cara chegando de uma viagem dessas? Não indico fazer nada a favor do tuga.


🎾 Juan Manuel Cerundolo (@ 1.44) vs. Yi Zhou (@ 2.67)
Fico feliz quando prospectos asiáticos surgem no circuito. Não tenho dúvidas de que Yi Zhou será um grande jogador, especialmente em condições rápidas. Zhou tem um ótimo serviço, bate bem na bola e, em comparação ao argentino, tem melhores recursos para as condições rápidas. No entanto, ainda está longe de ser um jogador de nível ATP e sua falta de experiência tornam JM Cerundolo um bom favorito. A grande questão é que Yi Zhou é o atleta local e estará jogando na China. Motivação não deve faltar. Mas devo ressaltar que no ano passado, JM Cerundolo conquistou um título challenger em Guangzhou. A grande diferença para este ano, é que ele tinha saído do US Open e optado por um preparatório para a gira asiática justamente neste challenger. Neste ano, o argentino já optou por começar em Chengdu, sem o preparatório em torneios de níveis menores na Ásia. Jogo perigoso, Yi Zhou tem talento.


🎾 James Duckworth (@ 2.17) vs. Lorenzo Sonego (@ 1.66)
Duckworth também vem da Davis Cup, mas não fico tão preocupado em questão a logística considerando que são aproximadamente 15-19 horas entre Brisbane e Chengdu. Além disso, ele sai do hard e continuará jogando no hard. Tecnicamente, a adaptação é muito mais simples do que para os caras que estavam em indoor ou saibro durante a Davis Cup. E esse matchup pode ser bem interessante. Duckworth é extremamente acostumado a pistas rápidas, possui um excelente primeiro saque e gosta de encurtar os pontos. O grande problema é que Duckworth foi muito mal na gira asiática no ano passado e perdeu 4 dos 4 jogos em solo chinês. Por outro lado, Sonego também é um jogador de pontos rápidos, então não espero muitas trocas longas considerando o perfil dos dois. O italiano, porém, não tem feito uma boa temporada e por vir de um torneio challenger no saibro italiano após o US Open e agora, um ATP na China, creio que a bagunça em sua agenda não me fariam indicar sua vitória como favorito.


🎾 Alexander Shevchenko (@ 5.65) vs. Hubert Hurkacz (@ 1.12)
Shevchenko participou da Davis Cup, mas não vejo nada de preocupante em termos de logística. Sai de Astana para Chengdu numa viagem estimada entre 6 e 10 horas. O problema aqui é o match up. Hurkacz detém 5-0 contra Shevchenko e é um jogador muito mais apropriado para as condições rápidas de Chengdu. O grande porém é que Hubby não pisa em solo chinês desde que coqnuistou o ATP de Shanghai em 2023. E para ser honesto, tenho um pouco de receio em relação a motivação das 'estrelinhas' do circuito jogando em solo asiático. As vezes, a motivação de Shev seja muito maior que a de Hubby e, querendo ou não, isso acabe tornando a diferença de nível na partida muito mais próxima do que as odds sugerem. De qualquer forma, Shev não tem jogado nada e não me arriscaria a ir ao seu favor.


🎾 Tallon Griekspoor (@ 2.15) vs. Denis Shapovalov (@ 1.68)
Griekspoor vem da Holanda para Chengdu, numa viagem de aproximadamente 19 horas, depois de competir em hard indoor. A transição não é das piores, porque continua saindo de uma condição rápida para outra em que seu saque pode funcionar muito bem. O holandês é um cara totalmente "montanha-russa" durante suas partidas. Apesar de ter um bom saque e alta capacidade para finalizar o ponto em poucas trocas, sofre muitas situações de BP e é sempre muito difícil vê-lo tendo uma vitória tranquila. Ou seja, se optar pelo seu lado, você vai se estressar mesmo que o resultado seja positivo. Shapovalov, não foge muito disso. Propõe partidas de altos e baixos e, como sempre digo, ele pode ser uma máquina de winners ou de UE. Não tem meio termo. Em um jogo de muita dependência, acredito que esta partida seja como jogar a moeda pra cima.


🎾 Juncheng Shang (@ 1.39) vs. Adrian Mannarino (@ 2.90)
Shang jogando na China e especialmente em Chengdu, torneio em que já foi campeão, é sempre interessante de se considerar. Além de ser atleta local, é um jogador que se sente extremamente confortável no hard de pace médio e as condições quentes e úmidas da China não parecem afetá-lo. O problema é que o vejo fora de ritmo por ter ficado grande parte da temporada fora das quadras, e seus pitis recentes têm o prejudicado bastante. Podem reparar que Shang tem tido inícios muito interessantes, mas quando passa por adversidades e a partida se estende, ele tem ficado nervoso e não tem lidado bem com os pressure points. Então, tem sido muito comum vê-lo sofrendo viradas em partidas que aparentavam estar dominadas. Por outro lado, MannaGOAT é um jogador muito chato quando consegue abusar do seu controle de bola. Contra destros, ele martela o backhand do adversário com seu forehand canhoto cruzado e ganha muita confiança. O problema é que este matchup será de canhoto x canhoto, e esse forehand cruzado não será tão útil, porque encontrará o forehand venenoso de Shang. Tenho minhas dúvidas em relação ao físico do chinês, mas acredito que ele tenha tudo para vencer este confronto.


🎾 Sebastian Baez (@ 2.07) vs. Jenson Brooksby (@ 1.72)
Baez e Brooksby tem suas limitações mas não podemos negar que sejam dois guerreiros em quadra. Ambos tem o perfil grinder e adoram construir os pontos com paciência e jogar no contra-ataque. Ambos se enfrentaram 2x neste ano e Baez venceu os dois jogos, com inclusive, um pneu aplicado em Auckland, na vitória por 7-6 6-0. Brooksby está longe de apresentar aquele tênis chato de jogar contra que mostrou na temporada passada. Aparentemente, sua confiança está baixa e em quadra, tem lhe faltado motivação. Por outro lado, Sebastian Baez foi um dos jogadores mais quentes em hard court no primeiro semestre e apesar do nível ter caído, acredito que suas performances foram muito mais convincentes. Acredito que Baez, jogando contra um cara que não tem o perfil de ball striker e adota seu mesmo estilo de construção de pontos com calma, possa levar vantagem por saber como jogar contra Brooksby.

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