ATP Pequim: análises da primeira rodada em condições lentas na China

O China Open é um ATP 500 disputado no hard outdoor do National Tennis Center, em Pequim. Em 2026, a chave masculina acontece entre 30 de setembro e 6 de outubro. A premiação total é de US$ 4.089.385, com US$ 764.750 destinados ao campeão de simples, além dos 500 pontos no ranking.
E aqui temos uma diferença em relação a Tokyo. Enquanto no Japão os números de pace não condizem com a percepção dos jogadores, em Pequim as duas coisas apontam para condições mais lentas. Os dados colocam o torneio entre os hards de menor velocidade, e os próprios jogadores já reclamaram bastante das ‘slow balls’.
🎾 Karen Khachanov (@ 2.20) vs. Felix Auger-Aliassime (@ 1.59)
Khachanov é um cara que conhece muito bem Pequim. Vem disputando o torneio há algumas temporadas, já chegou longe por lá. Além disso, vem numa ótima crescente desde o US Open e acredito que Pequim pode ser um bom torneio para continuar mantendo o nível. Aliassime, por outro lado, não costuma me passar tanta confiança nesta altura da temporada. Seu momento costuma vir quando a gira indoor europeia começa, no final da temporada (de fato), onde seu estilo de jogo realmente funciona. Pequim, com um piso mais lento do que ele gostaria, não é exatamente o cenário ideal para explorar saque + 1ra bola. FAA tem mais explosão e consegue tomar a iniciativa com mais facilidade. Mas acredito que Peguim não é o cenário ideal para acreditarmos nele como favorito. Khachanov me parece mais apropriado para essas condições.
🎾 Jan-Lennard Struff (@ 2.27) vs. Thiago Agustin Tirante (@ 1.55)
Struff não joga desde o US Open, não pisa em solo asiático há algumas temporadas e Pequim, definitivamente, não é o cenário ideal para seu estilo de jogo rápido. O alemão gosta de pistas aceleradas, onde consegue encurtar os pontos com o saque + 1ra bola. E considerando que Pequim está localizada à nível do mar e normalmente, há muita umidade, a pista está longe de ser rápida. Tirante também chega sem torneio oficial depois do US Open, tirando a Davis Cup, então não existe vantagem em relação ao ritmo. Mas em termos de matchup, é um cara muito mais sólido. Seu saque não tem a mesma potência de Struff, mas ele depende menos do primeiro serviço e consegue sustentar melhor os ralis. O ponto que me deixa mais cauteloso é o cenário asiático. Tirante nunca disputou um torneio de hard por lá e não sei como se sairá. As condições são realmente diferente do que ambos estão acostumados. Mesmo assim, num piso que reduz um pouco a vantagem natural de Struff, entendo o favoritismo do argentino.
🎾 Juan Manuel Cerundolo (@ 2.27) vs. Yunchaokete Bu (@ 1.56)
Bu vem numa crescente muito boa. Depois de meter 3-0 em Rafael Jodar no US Open, fez um bom torneio em Hangzhou e só caiu para Safiullin porque, sinceramente, era O DIA do russo. Uma performance que beirou a perfeição. Agora, novamente em solo chinês, Bu parece jogar sempre motivado. É sólido na linha de base e contra um cara sem potência como o argentino, pode ficar à vontade. Inclusive, comparado a JM Cerundolo, possui mais agressividade para assumir os pontos. Devo admitir que Juanma evoluiu bastante no piso e já mostrou que gosta do cenário asiático, principalmente quando existe altitude e a bola anda mais. Só que Pequim é praticamente ao nível do mar e o pace é médio, então acaba não sendo o cenário de sua preferência. O argentino pode tornar o jogo chato e físico, pois é basicamente um grinder com muita criatividade. Vejo Bu com mais ferramentas para controlar a linha de base e o match up contra canhotos não parece ser um problema, considerando que o chinês venceu 13 dos últimos 16 jogos.
🎾 Zhizhen Zhang (@ 3.30) vs. Arthur Gea (@ 1.27)
Zhizhen Zhang está bem distante do que pode entregar. Mesmo sendo atleta local, suas campanhas em Pequim nunca foram convincentes. O retrospecto por lá é 2-6 e ele sequer venceu um TOP 100 no torneio. Então.. nas duas vitórias, não houve nada de atrativo. Gea, por outro lado, é hoje um dos caras mais quentes do circuito no hard em termos de números. Além disso, teve que passar pelo qualifying, o que neste caso ajuda bastante porque já está completamente adaptado às condições e venceu as duas partidas com extrema propriedade. Por mais que considere Zhang chato quando encaixa saque + 1ra bola, as condições de pace médio e seus números em % de primeiros serviços em quadra, bem como, pontos vencidos com o primeiro saque não me dão esperança de que suas principais características serão um diferencial. Hoje a diferença de nível e de momento é bem grande. Gea está com ritmo, feeling, confiança e muito mais solidez. Mas a @ 1.27 não indico.
🎾 Nuno Borges (@ 2.67) vs. Novak Djokovic (@ 1.40)
Borges chega para esse jogo de um jeito que gosto: sem obrigação e aparentemente muito confortável com as condições. Ele próprio destacou que está ansioso para jogar num estádio grande e cheio, provavelmente no horário da noite, e que tem gostado bastante da forma como a quadra está respondendo durante seus treinos. E mentalmente, a leitura dele faz sentido. Toda a pressão estará em Djokovic. Borges sabe que precisa entrar solto, tentar transferir essa responsabilidade para o sérvio e aproveitar qualquer abertura que o GOAT querendo ou não, tem cedido. Tecnicamente, Djokovic continua sendo outro nível, mesmo com as performances recentes bem abaixo. Sua devolução, leitura de jogo e capacidade para fazer o que o adversário pede, são coisas que podem tirar Borges da zona de conforto. Enfim, não acho NADA improvável de Nuno Borges surpreender porque suas falas fazem todo o sentido, mas não acho que valha o risco considerando a odd relativamente baixa. Talvez, um tiro de risco possa ser ambos vencerem um set.
Quer receber análises como essa todos os dias? Assine o ABRA PREMIUM e junte-se à comunidade no Telegram.