ATP Tokyo: análises de uma primeira rodada cheia de grandes jogos

O ATP de Tokyo, oficialmente Japan Open, é um ATP 500 disputado no hard do Ariake Tennis Park. A edição de 2026 acontece entre 30 de setembro e 6 de outubro, com chave de 32 jogadores e premiação total de US$ 2.342.275. Por ser um ATP 500, o campeão também leva 500 pontos no ranking.
Sobre as condições, há um detalhe interessante. Os números estatísticos costumam colocar Tokyo mais próximo de um pace médio, mas isso não é um fator determinante. A percepção relatada sobre as quadras de Ariake é de uma superfície rápida, na qual a bola desliza bastante depois do contato com o piso. Há inclusive descrições históricas de Ariake como um hard mais veloz. Além disso, jogadores em edições anteriores já comentaram sobre a sensação de velocidade e o quique mais baixo.
🎾 Jiri Lehecka (@ 1.35) vs. Zizou Bergs (@ 2.87)
Ambos chegam da Davis Cup para a gira asiática. Lehecka defendeu a República Tcheca com duas performances de altíssimo nível no indoor, vencendo Ben Shelton e Learner Tien. Bergs, por outro lado, terminou 1-1 contra Rodionov e Lukas Neumayer, suas performances foram beeem porcas. Neste ano, eles já se enfrentaram em Doha e Lehecka simplesmente destruiu Zizou. Só que as condições eram bem favoráveis ao jogo do tcheco e ele já tinha experiência no torneio. Aqui, Lehecka nunca jogou e a situação é bem diferente. Em Tokyo, apesar dos números sugerirem pace médio, os próprios jogadores têm falado em condições rápidas e de quique baixo. E isso, sinceramente, combina bastante com o estilo de Lehecka. Se ele conseguir usar bem o saque + 1ra bola e tirar tempo de Bergs, pode deixar o belga bastante desconfortável. Não confio em Lehecka como amplo favorito, recomendo o mesmo.
🎾 Valentin Vacherot (@ 2.12) vs. Alexander Blockx (@ 1.63)
Há poucos dias eu estava justamente com essa dúvida em relação ao Vacherot: será que ele iria entrar firme para ganhar ritmo antes de Shanghai ou poupar energia pensando em defender os 1000 pontos? Contra Lloyd Harris, acabou perdendo por 2-0. Só que o cenário agora é diferente. Harris vinha de um qualifying insano e já estava completamente ambientado com Chengdu, enquanto Vacherot ainda estava chegando na Ásia. Agora, Vacherot já está na Ásia há dias, ambientalizado e treinando em Tokyo de maneira antecipada, considerando que caiu cedo em Chengdu. Enfrentará um Blockx que está chegando e que, inclusive, se retirou do último jogo no US Open por desgaste físico. Então, o negócio é diferente.. Gosto do matchup para o monegasco. Vacherot contra-ataca bem, mas também sabe assumir o controle. Não é um cara que depende só do saque e consegue mudar bem de defesa para ataque. Como underdog, e considerando o contexto físico e de adaptação, acho que Vacherot pode ser uma opção interessante.
🎾 Matteo Arnaldi (@ 2.02) vs. Rei Sakamoto (@ 1.70)
Rei Sakamoto é um prospecto completamente inconsequente, no bom e no mau sentido. Vai para cima o tempo inteiro, possui uma direita INSANA, saque muito potente e não costuma dar ritmo aos seus adversários. Quando encaixa, o adversário joga reagindo, no contra-ataque. Sakamoto joga em casa, chega com resultados melhores e certamente muito mais confiante do que Matteo Arnaldi, que vive uma baixa bem preocupante. Arnaldi é mais experiente e possui mais variedade. E mesmo sendo um jogador lucrativo no ABRA PREMIUM, estou com pouca vontade de dar chances a ele contra um cara que vejo muita qualidade. Pelo perfil de Sakamoto, pelo apoio local e principalmente pelo fato de ele ser extremamente agressivo contra um cara que adora ritmo, acho as odds corretas. Uma linha que gosto é a de 8.5 aces para Sakamoto a @ 1.97.
🎾 Alejandro Tabilo (@ 2.82) vs. Tommy Paul (@ 1.36)
Tabilo perdeu muitos pontos na semana passada ao cair logo na primeira rodada para Mannarino. Naquela análise, falei bastante sobre a pressão de defender o título e acredito que isso realmente tenha pesado. Agora, o cenário muda: começa do zero, como underdog e sem a obrigação nas costas. Além disso, já está há mais tempo em solo asiático, treinando e se adaptando, enquanto Tommy Paul chega para estrear na gira contra um jogador completamente 8 ou 80. O problema é o matchup. Tabilo gosta de ritmo, mas TP gosta ainda mais. Paul é excelente absorvendo velocidade, tem muito controle de bola e pode explorar o backhand de Tabilo com facilidade. Isso ajuda bastante a explicar o H2H de 2-0 para o americano. De qualquer forma, não confio muito em Paul como amplo favorito e considerando que teremos um Tabilo mais solto e já adaptado, acho provável que tenhamos um jogo disputado.
🎾 Arthur Fils (@ 1.13) vs. Luca Van Assche (@ 4.85)
Apesar da bizarrice de Fils no qualifying, ele conseguiu chegar até a chave principal! E para quem achava que ele teria vida fácil, está enganado: cedeu set tanto para Martin Damm quanto para Majchrzak. Agora, na chave principal e contra Luca Van ASS, Fils tem muito mais capacidade para produzir agressividade, encurtar os pontos e dominar fisicamente. Mas Van Assche é sólido, vive um momento interessante e entra sem pressão. Para mim, o grande destaque desse confronto está no backhand. Os dois possuem backhands de altíssimo nível e essas trocas cruzadas podem ser bem equilibradas. Fils tem mais peso e mais recursos no overall, mas Van Assche consegue segurar bem. Vejo um jogo com bastante pressão nos games de saque e consequentemente, muitas quebras. Não acho improvável vermos Luca roubando um set.
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