Guga completa 50 anos: relembre a carreira e curiosidades da maior lenda do tênis masculino brasileiro

Guga faz 50 anos
O maior tenista brasileiro da história completa meio século nesta quinta-feira. Tricampeão de Roland Garros e único brasileiro a liderar o ranking mundial, Gustavo Kuerten construiu uma trajetória que o esporte nacional não repetiu.
Gustavo Kuerten nasceu em Florianópolis em 10 de setembro de 1976 e completa 50 anos nesta quinta-feira. Tricampeão de Roland Garros, ex-número 1 do mundo e o único brasileiro a alcançar o topo do ranking da ATP, ele segue como a maior referência do tênis masculino do país.
O improvável de 1997
Guga chegou a Paris em 1997 como número 66 do mundo. Absolutamente ninguém o apontava como candidato ao título, e o caminho até a final não ajudava: pelo sorteio, ele teria de passar pelos três últimos campeões do torneio. Passou pelos três. Levantou o troféu e se tornou, até hoje, o jogador de menor ranking a conquistar o Grand Slam francês.
O título veio acompanhado de uma história paralela. Guga jogou de azul e amarelo, combinação que a organização do torneio não permitia. Segundo o relato de Larri Passos, seu técnico ao longo de praticamente toda a carreira, aquela era a única roupa disponível. A explicação foi aceita, Guga entrou em quadra com ela e saiu campeão.
O topo do mundo
Roland Garros voltaria a ser dele em 2000 e 2001. Em dezembro de 2000, após vencer a Masters Cup em Lisboa, onde passou por Pete Sampras na semifinal e Andre Agassi na decisão, assumiu a liderança do ranking mundial. Nenhum outro brasileiro chegou lá, antes ou depois.
Em 2004, já com 30º lugar no ranking e limitado pela lesão no quadril que abreviaria sua carreira, Guga eliminou Roger Federer na terceira rodada de Roland Garros por 6/4, 6/4 e 6/4. O suíço era o número 1 do mundo e disputava seu primeiro Grand Slam como principal cabeça de chave. Por questão de geração, Guga nunca enfrentou Rafael Nadal ou Novak Djokovic no circuito.
A grama e o Rider
O saibro foi sempre o território dele. Guga encerrou a carreira sem títulos na grama e chegou a pular Wimbledon em algumas temporadas. Em 2001, ao justificar a ausência, entregou uma frase engraçada e, de quebra, citou o patrocinador: "Vou botar um Rider no meu pé e descansar."
Fora das quadras
Em 2000, no auge da carreira, Guga e a família criaram o Instituto Guga Kuerten, voltado a projetos sociais que usam esporte e educação no atendimento a crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. A instituição segue ativa em Santa Catarina.
Em 2012, foi incluído no Hall da Fama do tênis, tornando-se o segundo brasileiro a receber a honraria, 34 anos depois de Maria Esther Bueno.
Longe da raquete, a paixão sempre foi o surfe. Nas folgas do circuito trocava a quadra pela prancha e chegou a passar temporadas no Havaí. Aos 50, segue surfando.
Aos 50 anos, os três títulos de Roland Garros e a chegada ao topo do ranking continuam sendo os grandes números de sua carreira. Mas talvez seu maior legado esteja justamente no que não cabe nas estatísticas: poucas figuras do esporte brasileiro conseguiram criar uma identificação tão forte com o público.
Feliz aniversário a um grande homem, personalidade, ídolo e uma verdadeira lenda do esporte brasileiro.