US Open 2026: análises das oitavas de final que iniciam neste domingo

🎾 Tommy Paul (@ 4.15) vs. Carlos Alcaraz (@ 1.24)
Tommy Paul é, para mim, o primeiro adversário deste US OPEN que realmente pode oferecer resistência a Alcaraz por um longo período de tempo. Não necessariamente porque esteja jogando mais tênis que os anteriores (Safiullin, Faria e Yibing), mas porque seu estilo, possivelmente, se encaixará nesta versão de Alcaraz que ainda busca o seu melhor ritmo. Além disso, TP tem a experiência para não sentir um choque de estar enfrentando Carlitos e também, seu nível tático e técnico é bem superior aos demais adversários. TP se movimenta com intensidade, contra-ataca muito bem e além de ser um legítimo ball controler, consegue fazer o adversário bater em movimento. E considerando que por mais que Alcaraz tenha vindo de uma vitória relativamente tranquila contra Yibing Wu, ele cometeu um alto nível de UE. A tendência é que contra Tommy Paul, cometa ainda mais considerando que muito provavelmente, passará mais tempo em quadra. O problema deste confronto é o desgaste do americano. Paul vem de uma batalha de 5 sets contra Bublik, enquanto Alcaraz passou pelas rodadas de maneira rápida. A partida que mais demorou foi contra Jaime Faria, em 2 horas e 41 minutos. E mesmo que Carlitos ainda esteja longe daquela versão endemoniada que conhecemos, tem sido extremamente eficiente nos pontos importantes. Historicamente, Paul já apresentou excelentes performances contra Carlitos, no entanto, os últimos 4 confrontos foram vencidos em sets diretos. Inclusive, um foi neste ano, em que apesar de TP ter jogado muito bem, não conseguiu tirar set do espanhol no AO. Enfim, acredito que o momento de Alcaraz seja diferente e mesmo vindo de vitórias tranquilas, ainda não teve um teste realmente difícil. TP tem bola para bater de frente, na minha opinião.
Meu palpite: Ambos vencem um set / TP vence um set.
🎾 Alex Michelsen (@ 1.36) vs. Tomas Martin Etcheverry (@ 3.25)
Caímos com Daniel Merida na sugestão passada. Devo admitir que Michelsen jogou um tênis de alto nível e vindo de dois jogos sem ceder um set, sua confiança está nas alturas. Michelsen vem de um jogo impecável com 40 winners e 14 UE. Ou seja, está conseguindo jogar extremamente agressivo, da forma como gosta, sem apresentar aquela ansiedade para finalizar o ponto em momentos inoportunos. Seu saque também tem passado muito mais confiança, com 12/14 de BP salvos e 14/29 de chances criadas. Ou seja, a devolução está funcionando muito bem. No hard americano, em casa e jogando desse jeito, é difícil não enxergar um favoritismo para Michelsen. Por outro lado, Etcheverry está fazendo provavelmente seu melhor torneio na temporada. Depois de um ano bem abaixo, encaixou 3 vitórias consecutivas e contra Navone fez uma partida muito sólida. Ainda bem que não me meti nesse jogo. Mesmo que ele tenha nos proporcionado um verde nos dois jogos anteriores, estava desconfiado das odds de Navone. Etcheverry está sendo mais agressivo, o saque está funcionando bem e fisicamente continua sendo um monstro. A questão é o matchup e diferença de estilos. Michelsen possui muito mais naturalidade para assumir a iniciativa nessas condições, sobe à rede com frequência e busca não dar ritmo. E essas são combinações interessantes pode impedir Etcheverry de transformar o jogo em trocas de linha de base. Para concluir, acredito que mesmo sabendo do pedigree de Michelsen em hard court e de sua superioridade nessa pista, acredito que @ 1.36 é muito baixo para um jogador que não costuma chegar nessa altura de um Grand Slam. A pressão está totalmente no lado de Michelsen e penso que Etcheverry, jogando solto pode sim tornar o duelo competitivo.
Meu palpite: Etcheverry HC+.
🎾 Daniil Medvedev (@ 1.60) vs. Frances Tiafoe (@ 2.40)
Tiafoe vem voando e muito dessa evolução recente se passou pela mudança de equipe técnica. Tiafoe está confiante, jogando um tênis muito clean e estando em seus domínios, é um cara duro. Contra Vacherot, foram 30 winners e apenas 13 UEs, sem ceder um BP em 3 sets. Um verdadeiro amasso.. Quando Big Foe consegue manter seu estilo agressivo com um pouco mais de paciência na construção dos pontos, é um cara embaçado. Ainda mais com a torcida vendo todo o seu show. Só que, aqui, Medvedev historicamente sabe como quebrar esse ritmo. O russo consegue empurrar o adversário para trás da linha de base, contra-ataca bem, absorve a potência e por ser uma parede defensivamente, obriga quem está do outro lado a jogar mais uma bola. E sabemos que, mesmo que Big Foe esteja mais paciente, ainda não o vímos enfrentar um cara tão bom defensivamente no US OPEN. Com ele precisando construir muito bem os pontos, os erros acabam aparecendo. Medvedev já vem de 3 excelentes partidas, está muito mais solto, paciente e principalmente com uma linguagem corporal que não vinha apresentando há algum tempo. Só de não ficar dando seus pitis escrotos, sua postura é outra. Neste confronto, acredito que o H2H acaba pesando um pouco: 6-2 para Daniil. Neste match up, vejo o russo obrigando Tiafoe a sair da zona de conforto e tendo que abusar mais da criatividade. Tornando a proposta de jogo diferente do que seus adversários tem exigido. O ponto positivo, além de Tiafoe estar jogando bem, é que ele jogou TODAS as partidas na Louis Armstrong. Enquanto Daniil só jogou contra Sebastian Gorzny. O feeling do court + torcida podem ser pontos importantes para Tiafoe reduzir o confronto direto desfavorável. Acredito que será um jogasso.
Meu palpite: Ambos vencem um set.
🎾 Ben Shelton (@ 1.39) vs. Stefanos Tsitsipas (@ 3.10)
Ben Shelton está jogando provavelmente o melhor tênis de sua carreira. São 9 vitórias nos últimos 10 jogos no hard e o mais impressionante é que ele já não depende do seu famoso combinho de saque + forehand. Está devolvendo consideravelmente melhor, se movimentando bem e defendendo de uma forma que não estávamos acostumado a ver. Tem um dado oficial que deixei separado para esta análise que mostra bem essa evolução recente: considerando os jogadores do TOP 30 da ATP, Shelton aparece entre os que mais utilizam variações de golpe, ficando atrás apenas de Musetti no levantamento. Estamos falando de subidas à rede, slices, bolas curtas, mudanças de altura, ângulos e drop shots. Ou seja, aquele Shelton com um jogo monótono, já não existe. E se a versão 1.0 era boa, a 2.0 é ainda melhor. E o matchup contra Tsitsipas possui um ponto que sempre devemos considerar: saque canhoto aberto + primeira bola no backhand de uma mão de Tsitsipas. Shelton pode martelar esse padrão infinitas vezes e sabemos o quanto o grego sofre quando é pressionado em seu pior golpe. Mas não serei injusto com Tsitsipas, ele está jogando um tênis que dá resquícios do porquê ficou tanto tempo no top 10 e é um multicampeão. Eliminou Fils e Lehecka, dois ball strikers, e conseguiu sobreviver a momentos bem complicados nos dois jogos. Contra Lehecka, depois de um início ruim, passou 3 sets sem sofrer quebras e voltou a mostrar uma direita extremamente agressiva. Parece muito mais solto mentalmente e acredito que isso seja fruto dos novos ares em sua equipe técnica, com Patrick Mouratoglou. Para este jogo, é óbvio que Benny mereça o favoritismo, ainda mais por ser canhoto. E como mencionado, tem muitas alternativas ofensivas caso Tsitsipas consiga neutralizar seu combinho principal. Considerando especialmente o US OPEN, diria que Tsitsipas a @ 3.10 é alto demais.
Meu palpite: Ambos vencem um set.